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A vitamina C, o FPS estrito, o retinol, o ácido hialurônico e os ácidos esfoliantes são os segredos clássicos de todos os #skintellectualTCL para prevenir e tratar sinais de envelhecimento. Porém, a ioga facial (realização sistemática de exercícios com os músculos da face) se posiciona como mais um recurso para melhorar a perda de firmeza e as rugas. Mas tem respaldo científico? É algo que deveríamos incluir em nossa rotina?

Em resultado de uma consulta que recebemos através das nossas redes, investigámos exaustivamente o assunto e o que constatámos é que ainda não está totalmente elucidado. As evidências a favor dessa técnica são favoráveis, mas fracas1,2. Assim, apesar de alguns resultados animadores, não se pode afirmar com certeza que quem pratica esses exercícios notará uma melhora nos sinais de envelhecimento da pele. Há até quem defenda que algumas linhas de expressão podem piorar3. No entanto, isso também não está adequadamente demonstrado2.

Dado que a evidência sobre o tema não é contundente, que os exercícios levam um tempo diário considerável e que existem alternativas com eficácia comprovada (cosméticas, mínimamente invasivas, cirúrgicas), na TCL consideramos que o yoga facial não se posicionaria, ao menos por enquanto, como o anti-envelhecimento de escolha. Porém, e tendo em conta que quem experimenta a técnica costuma ficar satisfeito com os resultados, se a ideia for divertida, não perderá nada em tentar! ;)

O que é ioga facial?

Envolve o exercício dos músculos da mímica (que rondam os 204!), com o objetivo de melhorar os sinais de envelhecimento. Parte-se do conceito de que os sinais de envelhecimento não se devem apenas à perda de elasticidade da pele, mas também à diminuição do volume dos músculos. Tem como objetivo aumentar o seu tamanho e, assim, melhorar as linhas e a firmeza1.

Que exercícios inclui?

Não é padronizado. Assim, inclui exercícios variados que variam de acordo com o instrutor, tais como:

  • levantar as sobrancelhas;
  • fechar bem os olhos;
  • lábios protuberantes, como se fosse beijar;
  • exagerar um sorriso.

Com que frequência isso é feito?

Depende do programa. Alguns requerem exercícios diários, outros em dias alternados e outros semanais. A duração de cada sessão pode ser de alguns minutos a meia hora. 

É eficaz? 

A evidência a favor do ioga facial como técnica anti-envelhecimento é favorável, mas fraca1,2. Não se pode afirmar com certeza que quem pratica esses exercícios notará uma melhora nos sinais de envelhecimento da pele. Há até quem defenda que algumas rugas de expressão podem piorar com os exercícios faciais3. No entanto, isso também não foi comprovado, e vale ressaltar que a maioria dos que experimentam a técnica parece estar satisfeita, de acordo com as pesquisas disponíveis2.

O que a ciência diz?

O conhecimento científico vai sendo construído aos poucos e entre todos. Para que algo se torne uma “verdade científica”, tem que ser, entre outras coisas, comprovado por vários estudos de boa qualidade (não basta que um único estudo o diga). O mais alto nível de evidência é alcançado com uma meta-análise: isto é, com um estudo que analisa os resultados de vários estudos de boa qualidade para tirar conclusões5.

Sobre ioga facial, duas publicações dos últimos anos se destacam: uma metanálise de 2013 (que não foi conclusiva) e um ensaio clínico de 2018 (que foi favorável).

2013: Evidência inconclusiva

Uma metanálise avaliou os estudos disponíveis até o momento e constatou que, embora com resultados positivos, seu desenho metodológico não era de boa qualidade. Portanto, ele concluiu que não se poderia dizer que a ioga facial realmente ajudou a melhorar os sinais de envelhecimento2, embora ele também não tenha descartado isso.

Alguns fatos interessantes sobre esta revisão:

  • Os estudos analisados foram 9.
  • Entre os 9 estudos, o número total de pacientes estudados soma 43. Esse número é baixo, o que é uma limitação (levando em consideração que quanto maior o número de pacientes estudados, menor a chance de o acaso afetar os resultados).
  • Todos os 9 estudos avaliaram exercícios diferentes entre si, tornando difícil tirar conclusões gerais.
  • Todos os 9 estudos tiveram resultados positivos, avaliados pelos próprios pacientes e por terceiros. No entanto, a medição do resultado não foi de boa qualidade: na maioria dos estudos, foi realizada usando critérios subjetivos e sem os avaliadores serem “cegos”. O fato de a pessoa que avalia os resultados ser “cega” significa que ela não sabe quem recebeu a intervenção e quem não o fez, o que ajuda a minimizar o exagero inadvertido que o entusiasmo do observador pode causar.
  • Nenhum dos estudos teve um grupo 'controle' de pacientes (ou seja, um grupo recebendo outra intervenção para comparar os resultados). Esta é uma limitação importante: apenas estar testando alguma coisa já aumenta as chances de perceber um resultado, devido ao efeito placebo.

Long story short: O fato de 43 pessoas terem resultados positivos na ioga facial não apoia a técnica, se a qualidade dos estudos não for boa. Esta revisão de 2013 deixou a porta aberta para futuras pesquisas de melhor qualidade para tentar demonstrar ou refutar os benefícios da técnica2

2018: Provas a favor

O corpo de evidências disponível até a revisão de 2013 foi acompanhado por um estudo mais recente publicado em 2018 com o apoio do Departamento de Dermatologia da Northwestern University. Seu design foi o seguinte1:

  • 16 pessoas foram seguidas por 20 semanas.
  • Todas as 16 pessoas eram do sexo feminino entre 40 e 65 anos.
  • Eles receberam duas sessões de treinamento de uma hora e meia, na qual aprenderam a fazer 32 exercícios faciais (a partir do Happy Face Yoga).
  • Durante as primeiras 8 semanas, eles foram convidados a praticar os exercícios diariamente por 30 minutos.
  • Da 9ª à 20ª semana, eles foram solicitados a praticar os exercícios qualquer outro dia.
  • Ao final das 20 semanas, os resultados foram medidos por 3 variáveis:
    • Pontuação de envelhecimento: Uma pontuação foi atribuída a diferentes características do rosto e pescoço. Quanto maior a pontuação, mais sinais de envelhecimento. A pontuação foi concedida antes e após as 20 semanas de ioga facial por dois médicos que analisaram as fotos dos participantes. Vale esclarecer que essa análise foi "cega": os médicos não sabiam se as fotos correspondiam a antes ou depois do tratamento. O resultado foi uma melhoria na pontuação em 2 das 19 áreas avaliadas. As áreas em que a melhoria foi percebida foram a parte superior e inferior das bochechas.
    • Idade estimada: Foi feita uma estimativa de terceiros da idade dos participantes, também “cega”, por meio de análise fotográfica. O resultado foi um declínio estatisticamente significativo (passou de 50,8 no início do estudo para 48,1 no final do estudo).
    • Satisfação dos participantes: Ao final do estudo foi aplicado um questionário, no qual 100 % das participantes se mostraram satisfeitas.

Embora os resultados deste estudo sejam encorajadores, não é sem limitações:

  • Conflito de interesse: Um dos pesquisadores que realizou o estudo é o fundador do Happy Face Yoga (método que os participantes aprenderam). Isso não significa que o estudo perca validade: é normal que quem se dedica a um tema tenha mais interesse em estudá-lo. No entanto, é mais um detalhe a levar em consideração ao analisar um paper.
  • Tamanho da amostra: A amostra do estudo é de apenas 16 participantes. Isso deixa em aberto a questão de se os resultados encontrados são aplicáveis a toda a população ou respondem às particularidades desses participantes (ou ao acaso).
  • População interessada no tema: As participantes selecionadas estavam todas interessadas em fazer ioga facial, o que pode implicar em algum preconceito, pois há um entusiasmo extra de sua parte quando se trata de analisar os resultados.
  • Ausência de grupo "controle": A prática de ioga facial não foi comparada com outra intervenção.

Com seus resultados encorajadores e limitações, este estudo adiciona ao corpo de evidências científicas que irão elucidar com o tempo se a técnica é suportada ou não.

Dicas

  • Por enquanto, pode-se dizer que quem quiser experimentar ioga facial pode fazê-lo! Existem resultados favoráveis, mesmo que sejam fracos.
  • Quem não acha a técnica atrativa não precisa se submeter a um período diário de exercícios: seus benefícios ainda não foram comprovados, podendo optar por outros recursos. :)
  • Com ou sem ioga facial, procure não perder em sua rotina o que tem suporte para prevenir e tratar os sinais de envelhecimento:

Esperamos que tenha sido útil e estamos à disposição para qualquer esclarecimento! Sinta-se à vontade para nos dizer como você está experimentando ioga facial. ;)

The Chemist look Team

PS: Os psicólogos mostraram que as expressões faciais afetam as emoções de uma maneira pequena, mas significativa. Assim, sorrir não será a solução para todos os problemas, mas é um recurso que por si só tem o poder de fazer você se sentir mais feliz6. :)

 

 

  1. Murad A, Walter AJ, Geisler A, Roongpisuthipong W, Sikorski G, Tung R, Poon E. Association of Facial Exercise With the Appearance of Aging. JAMA Dermatol. 2018 Mar; 154(3): 365–367.
  2. Van Borsel J, De Vos MC, Bastiaansen K, Welvaert J, Lambert J. The effectiveness of facial exercises for facial rejuvenation: a systematic review. Aesthet Surg J. 2014 Jan 1;34(1):22-7.
  3. The Aesthetic Society. Do facial exercises combat signs of aging?
  4. JW, RC Yokochi, E Liitjen-Drecoll. Atlas de anatomía humana. 5ta edición. Elsevier Science.
  5. OCEBM Levels of Evidence Working Group*. “The Oxford Levels of Evidence 2”. Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.
  6. University of Tennessee at Knoxville. "Psychologists find smiling really can make people happier." ScienceDaily. ScienceDaily, 12 April 2019.
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