ingredientes-cosmeticos

No The Chemist Look sempre dizemos que um produto não é apenas o que contém, mas também o que não contém. Em particular, optamos por formular sem fragrância, álcool ou óleos essenciais e sugerimos evitá-los. E isso porque têm alto potencial de irritação: enfraquecem a barreira da pele e podem causar dermatites, sem trazer benefícios significativos aos produtos. Além disso, no caso do álcool, faltam evidências que garantam sua biossegurança.

É comum encontrar as linhas "para pele sensível" livres desses ingredientes ("Sem fragrância" y "Livre de álcool"), mas na TCL sugerimos evitá-los seja qual for o estado da sua pele.

No entanto, sabemos que, quando se trata de analisar fórmulas, nem sempre é fácil interpretá-las. Portanto, no post de hoje, há um guia para #SkintellectualsTCL sobre quais ativos evitar e por que, e como identificá-los nas fórmulas para se tornar um consumidor mais desconfiado.

Lista de Ingredientes ou INCI

Independentemente do que o rótulo na frente do produto diga (e prometa), para ter certeza do que ele contém, você precisa virá-lo e ler a lista de ingredientes. Em cosméticos, essa lista é chamada de INCI, por sua sigla em inglês International Nomenclature of Cosmetic Ingredients.

Para unificar e universalizar os termos, no INCI os ingredientes aparecem em inglês ou latim. Portanto, um ativo geralmente não é encontrado por seu nome “comum”. Por exemplo, água destilada é encontrada na fórmula como WATER ou AQUA, e a vitamina E é encontrada como TOCOFEROL1. Por isso, para identificar um ingrediente em uma fórmula, é necessário saber como ele é denominado no INCI.

Para os nossos: que ingredientes recomendamos evitar e como identificá-los?

#1: Fragrância

Na TCL sempre recomendamos evitar fragrâncias e excluí-las de nossas fórmulas. Embora aprimorem a experiência sensorial com o produto, não agregam valor real para você e têm um alto custo de alto potencial de irritação.

Foi demonstrado que podem causar fotossensibilidade, dermatite, eczema e urticária em uma alta porcentagem de peles. Além disso, pode causar inflamação subclínica, ou seja, pode causar danos à pele, mesmo que você não perceba. Não existem concentrações seguras conhecidas que estejam isentas desses riscos, e isso é verdade tanto para fragrâncias sintéticas quanto naturais. Portanto, evitar ambos é uma medida simples para prevenir danos2.

Você pode encontrar tudo sobre o assunto em nossa postagem Fragrância em cosméticos: por que evitá-la.

Como aparece no INCI?

Muitas vezes é listado como fragrância, fragrance, parfum, perfume ou aroma, simplificando nosso trabalho. No entanto, muitas outras vezes aparece o nome próprio do composto que fornece a fragrância (sintética ou natural).

Felizmente, o SCCS (Comitê Científico de Segurança do Consumidor da União Europeia) elaborou uma lista com os nomes das fragrâncias classificadas como alérgenos para a pele. Estas são2:

ACETYLCEDRENE, AMYL CINNAMAL, AMYL CINNAMYL ALCOHOL, AMYL SALICYLATE, TRANS-ANETHOLE, ANISYL ALCOHOL, BENZALDEHYDE, BENZYL ALCOHOL, BENZYL BENZOATE, BENZYL CINNAMATE, BENZYL SALICYLATE, BUTYLPHENYL METHYLPROPIONAL (LILIAL), CAMPHOR, BETA-CARYOPHYLLENE, CARVONE, CINNAMAL, CINNAMYL ALCOHOL, CITRAL, CITRONELLOL, COUMARIN, (DAMASCENONE) ROSE KETONE-4, DAMASCONE, DIMETHYLBENZYL CARBINYL ACETATE (DMBCA), EUGENOL, FARNESOL, GERANIOL, HEXADECANOLACTONE, HEXAMETHYLINDANOPYRAN, HEXYL CINNAMAL, HYDROXYISOHEXYL 3-CYCLOHEXENE CARBOXALDEHYDE (HIIC), HYDROXYCITRONELLAL, ISOEUGENOL, ALPHA-ISOMETHYL IONONE, LIMONENE, LINALOOL, LINALYL ACETATE, MENTHOL, 6-METHYL COUMARIN, METHYL 2-OCTYNOATE, METHYL SALICYLATE, 3-METHYL-5-(2,2,3-TRIMETHYL-3-CYCLOPENTENYL)PENT-4-EN-2-OL, PINENE, PROPYLIDENE PHTHALIDE, SALICYLALDEHYDE, SANTALOL, SCLAREOL, TERPINEOL, TERPINOLENE, TETRAMETHYL ACETYLOCTAHYDRONAPHTHALENES, TRIMETHYL-BENZENEPROPANOL (MAJANTOL), VANILLIN.

# 2: Óleos essenciais

Numa época em que a moda natural está em alta, é preciso ter em mente que nem tudo que é natural é bom, nem tudo que é sintético é ruim. Na TCL tentamos escolher o melhor dos dois mundos e formular com ingredientes biocompatíveis naturais e sintéticos, evitando aqueles com alto potencial de irritação.

Com o intuito de evitar ingredientes sintéticos e classificar os produtos como "naturais", cada vez mais marcas estão utilizando Óleos Essenciais como substitutos de fragrâncias sintéticas. O problema é que não são seguros: têm potencial para danificar a barreira cutânea de forma dose-dependente3. Em sua composição, eles contêm várias das fragrâncias listadas como alergênicas pelo SCCS. Por exemplo, o óleo de lavanda tem um alto conteúdo de linalool e o óleo de eucalipto de limonene2.

Como aparecem no INCI?

Felizmente, o SCCS também desenvolveu uma lista de óleos essenciais alergênicos para evitar:

  • Óleo de Ylang-Ylang ou óleo Cananga Odorata
  • Óleo de Cedro ou Cedrus Atlantica (Atlas Cedar) Bark Oil
  • Óleo de Canela ou Cinnamomum Cassia Leaf Oil ou Cinnamomum Zeylanicum Bark Oil
  • Óleo de Laranja Amarga ou Citrus Aurantium Amara Flower/Peel Oil
  • Óleo de Laranja ou Citrus Sinensis (Aurantium Dulcis) Peel Oil
  • Óleo de Bergamota ou Citrus Bergamia Peel Oil
  • Óleo de Limão ou Citrus Limonum Peel Oil
  • Óleo de Capim-limão ou Cymbopogon Citratus/Schoenanthus Oil
  • Óleo de Eucalipto ou Eucalyptus spp. Leaf Oil
  • Óleo de Cravo ou Eugenia Caryophyllus Leaf/Flower Oil
  • Tree moss Extract ou Evernia Furfuracea Lichen Extract
  • Oak moss ou Evernia Prunastri
  • Óleo de Jasmin ou Jasminum Grandiflorum Flower Extract ou Jasminum Officinale Flower Oil
  • Óleo de Cedro da Virgínia ou Juniperus Virginiana Wood Oil
  • Óleo de Louro ou Laurus Nobilis Oil
  • Óleo de Lavandin ou Lavandula Hybrida Herb Oil
  • Óleo de Lavanda ou Lavandula Officinalis Flower Oil
  • Óleo de Menta ou Mentha Piperita Oil
  • Óleo de Menta ou Mentha Spicata Herb Oil
  • Bálsamo do Peru ou Myroxlon Pereirae Resin
  • Óleo de Narciso ou Narcissus spp. Extract/Oil
  • Óleo de Gerânio Bourbon ou Pelargonium Graveolens Flower Oil
  • Óleo de Agulha de Pinheiro Anão ou Pinus Mugo/Pumila Oil/Extract
  • Óleo de Patchouli ou Pogostemon Cablin Oil
  • Óleo de Rosa ou Rose Flower Oil
  • Óleo de Sândalo ou Santalum Album Oil
  • Óleo de Trementina (aguarrás) ou Turpentine Oil
  • Óleo de Verbena ou Verbena absolute

Vale esclarecer que, se você gosta de produtos naturais, é super válido e tem alguns muito bons! Você pode encontrar os ingredientes naturais e as marcas naturais aprovadas pelo TCL e ler tudo sobre isso em nosso post: Cosméticos naturais Vs. sintéticos: o que há por trás de seus produtos?

Dica: Dê uma boa olhada na fórmula! Que a embalagem contenha os dizeres "verde" não significa nada. Muitas vezes, os produtos que afirmam ser naturais são, na verdade, de inspiração natural.

# 3: Álcool

O álcool é um dos ingredientes mais comuns em cosméticos. E isso não é em vão: melhora muito a experiência sensorial com o produto, além de ser adstringente4 e antimicrobiano5. No entanto, no TCL também não o incluímos em nossas fórmulas e sugerimos evitá-lo.

Isso ocorre porque certos álcoois têm um alto potencial de irritação e podem atuar como alérgenos de contato. Além disso, enfraquecem a barreira cutânea ao remover lipídios e proteínas, a ponto de aumentarem a penetrância de outras moléculas6. Outro problema é que sua biossegurança não está bem estabelecida: por exemplo, faltam evidências sobre seu potencial carcinogênico e genotoxicidade7. Embora o risco carcinogênico não tenha sido demonstrado quando aplicado na pele, é alarmante que em 2018 tenha sido verificado que o álcool presente nos enxaguantes bucais produz genotoxicidade (dano ao DNA) com potencial carcinogênico nos queratinócitos bucais8.

Você pode ler tudo sobre o assunto em nossa postagem: Álcool em cosméticos: por que evitá-lo?

Como aparece no INCI?

O álcool a evitar em cosméticos aparece no INCI como:

  • Álcool
  • Álcool Denat
  • Álcool isopropílico
  • Álcool SD
  • Álcool CD

 

Permitido: álcoois que fazem

Olho! Por hábito, o claim "Alcohol-free" em cosméticos, refere-se apenas aos álcoois mencionados acima. Parece confuso, mas a família dos álcoois é muito grande e variada e, dentro dela, existem álcoois benéficos para a pele que ficam de fora do claim "alcohol-free". Esses álcoois "bons" podem ser reconhecidos nas fórmulas como: Cetyl Alcohol, Stearyl Alcohol, Cetearyl Alcohol, Isostearyl Alcohol, Myristyl Alcohol ou Behenyl Alcohol.

São considerados seguros pelo CIR Expert Panel e pelo International Journal of Toxicology9,10 e possuem propriedades hidratantes11.

Como aumentar a barreira da pele?

Está comprovado que quanto mais saudável a barreira da pele, menos danos são causados por irritantes12,13. Portanto, além de escolher seus cosméticos com cuidado, é essencial usar ingredientes reparadores de barreira. ;)
Também é aconselhável incorporar em seus hidratantes de rotina 3.0 que combinem ingredientes reparadores, umectantes e emolientes, como nossas emulsões hidratantes para pele seca, mista ou oleosa.

Hidratante - The Chemist Look

Dicas para cuidados e prevenção de danos:

    • Usar protetor solar 365 dias por ano, faça chuva ou faça sol. Previne e trata o fotoenvelhecimento.
    • Impulsionar sua rotina preventiva com antioxidantes poderosos (que ajudam a prevenir o fotoenvelhecimento e o câncer de pele) como o nosso Booster VIT-C/FE.
Booster VIT-C/FE - The Chemist Look
  • Evite produtos de limpeza agressivos (que deixam a pele seca e firme). Escolha tensoativos não iônicos que respeitem a barreira da pele durante o processo de limpeza, como os de nossa Emulsão de limpeza facial.
  • Escolha hidratantes que protegem você da poluição. Provoca envelhecimento prematuro!
  • Durma bem.
  • Reduza o tanto quanto você puder o estresse.

Esperamos que tenha sido útil! Para qualquer dúvida, estamos à disposição!

The Chemist Look Team

 

  1. Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos. Wikipedia. 2018.
  2. Opinion on Fragrance allergens in cosmetic products. Scientific Committee on Consumer Safety. June, 2012.
  3. Jiang Q, Wu Y, Zhang H, Liu P, Yao J, Yao P, Chen J, Duan J. Development of essential oils as skin permeation enhancers: penetration enhancement effect and mechanism of action. Pharm Biol. 2017 Dec;55(1):1592-1600.
  4. Draelos ZD. Cosmeceuticals: What's real, what's not. Dermatol Clin. 2019 Jan;37(1):107-115.
  5. Notes of Guidance for the Testing of Cosmetic Ingredients and their Safety Evaluation. 9th revision. SCCS (Scientific Committee on Consumer Safety). 2015. SCCS/1564/15, revision of 25 April 2016.
  6. Lachenmeier DW. Safety evaluation of topical applications of ethanol on the skin and inside the oral cavity. J Occup Med Toxicol. 2008; 3: 26.
  7. Final Report of the Safety Assessment of Alcohol Denat, Including SD Alcohol 3-A, SD Alcohol 30, SD Alcohol 39, SD Alcohol 39-B, SD Alcohol 39-C, SD Alcohol 40, SD Alcohol 40-B, and SD Alcohol 40-C, and the Denaturants, Quassin, Brucine Sulfate/Brucine, and Denatonium Benzoate. International Journal of Toxicology. 2008;27(1):1-43.
  8. Fox SA, Currie SS, Dalley AJ, Farah CS. Transcriptome changes induced in vitro by alcohol-containing mouthwashes in normal and dysplastic oral keratinocytes. J Oral Pathol Med. 2018 May;47(5):511-518.
  9. Final Report on the Safety Assessment of Cetearyl Alcohol, Cetyl Alcohol, lsostearyl Alcohol, Myristyl Alcohol, and Behenyl Alcohol. Journal of the American College of Toxicology. 1988;7(3).
  10. Annual Review of Cosmetic Ingredient Safety Assessments: 2005/2006. International Journal of Toxicology. 2008;27(1):77-142.
  11. Draelos ZD. Review: The science behind skin care: Moisturizers. Journal of Cosmetic Dermatology. 2018; 17(2): 138–144.
  12. Angelova-Fischer I. Irritants and Skin Barrier Function. Curr Probl Dermatol. 2016;49:80–89.
  13. Cork MJ, Robinson DA, Vasilopoulos Y, et al. New perspectives on epidermal barrier dysfunction in atopic dermatitis: gene-environment interactions. J Allergy Clin Immunol. 2006 Jul;118(1):3-21.
Ingredientes

Deixe um comentário

Todos os comentários são moderados antes de serem publicados.